"Querido Papai Noel,
tudo certo no Pólo Norte? Tá rolando um burburinho de que as renas estão ameaçando entrar em greve por mais bambu e ervas grátis no vale alimentação. É verdade? Isso é preocupante. Elas precisam de energia extra pra tantas visitas no dia de Natal. Espero que dê tudo certo nas negociações e elas continuem saudáveis e felizes! Falando nisso, os duendes ajudantes estão dando conta de tantas cartinhas? Gostaria muito que o senhor pudesse ler a minha. Sabe, Noelzito - posso te chamar assim, né? -, fui uma boa pessoa esse ano! Ok, isso não é mais do que obrigação. Mas, pô, me esforcei pra não dar mancada. Eu poderia ter atacado a caixa de bombons preferidos da minha mãe durante a noite ou ter colocado uma meia fedida debaixo do travesseiro do meu irmão quando a gente brigou. Não fiz. Viu? Fui suuuper legal! Enfim, tô aberto a sugestões e mega disposto pra trocar uma ideia contigo. Ei, depois me conta se a Mamãe Noel curtiu a minha lembrancinha. Ah, e se não servir, fala pra ela jogar um pouquinho de pó de fada que resolve tudo. Quer dizer, tem fadas na redondeza, né? É isso. Valeu, Nô. Dale ritmo e até dia 25! Abraço!".
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| (Imagem: reprodução/IKEA - "La Otra Carta") |
A cartinha acima pode não ter sido escrita por um pequenino, mas com a proximidade do Natal milhares delas começam a ser endereçadas ao bom velhinho de barba branca e trajes vermelhos. Crianças (e adultos) partem em uma avaliação pessoal em relação ao ano que está se encerrando e analisam o modo como reagiram à ele. Frases como "fui uma boa pessoa", "me comportei bem" ou "não briguei com ninguém", entre outras, passam a povoar os clássicos trechos dos bilhetinhos natalinos. Mas, afinal de contas, o que queremos no Natal? O que as crianças esperam receber em troca com essas cartinhas? Apostando na produção de textos dos pequenos, uma rede de móveis e decoração na Espanha resolveu fazer um experimento para saber o que a turminha deseja - de verdade - nessa época do ano. Foi incentivando a escrita e o imaginário infantil que a IKEA desvendou o mistério que ronda os pedidos ao Noel. Duas cartas, dois destinatários e uma escolha: somente uma poderá ser enviada! O resultado foi surpreendente.
Dez famílias foram convocadas a participar do projeto. A ideia era simples: escrever uma cartinha - típica de Natal - para os três reis magos (similar à nossa ao Noel) e pedir o que mais desejavam de presente. Separados em uma sala, as crianças ficaram livres para anotarem tudo o que viesse à mente naquele momento. Nem precisou muito esforço para que começassem a pipocar pedidos e mais pedidos no papel. "Um jogo", "um violão", "um wii (videogame)" e, até mesmo, "um unicórnio que voe". Ao final, todos os bilhetes foram fechados e colocados numa caixa para serem enviados ao destinatário.
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| (Imagem: reprodução/IKEA - "La Otra Carta") |
Mas, eis que surge uma segunda versão para eles escreverem: "La Otra Carta" ("A Outra Carta"), título que dá nome à campanha e é endereçada aos pais. Dessa vez, o que antes pareceu tão fácil ficou um pouco mais complicado para eles decidirem. A galerinha analisou melhor o que pretendiam solicitar à família e, aos poucos, foram colocando tudo no papel. As coisas pedidas na carta aos reis magos foram totalmente diferentes daquelas pedidas aos pais: "queria que passasse mais tempo comigo"; "que jantem mais conosco"; "que façam mais 'cosquinhas'"; "que leiam mais contos"; "que tenhamos um dia juntos"; "que jogue mais futebol comigo", entre outras.
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| (Imagem: reprodução/IKEA - "La Otra Carta") |
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| (Imagem: reprodução/IKEA - "La Otra Carta") |
A surpresa rola quando a pessoa que conduz o experimento avisa os pequenos: "se você só pudesse enviar uma das cartas, qual enviaria? A dos reis magos ou a do papai e mamãe?". É nesse momento crucial que a dúvida ameaça tomar conta da galerinha, mas logo eles conseguem decidir com firmeza o rumo da situação. A escolha? A carta da família! Sem demora, o ponto de interrogação passa para os pais: "por que nos esforçamos tanto em dar aos nossos filhos aquilo que eles não querem?". A resposta é sincera: "o melhor presente é a presença". Subestimar o que as crianças desejam é um risco. Às vezes, é preciso que algo aconteça para que as pessoas enxerguem o que realmente importa. Ter a capacidade de "ler as crianças" é desvendar as linhas de um futuro melhor. Nesse Natal, dê amor! Atenção e carinho são milagrosos.
Gostou do experimento? Assista ao vídeo completo da campanha "La Otra Carta".
Emily Antonetti








